sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Trecho Dom Quixote

 
Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca. 
 
(Miguel de Cervantes)
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Canto das Estrelas


Tão belas, tão belas...
me sinto no universo
e não nesse reverso
a terra;
me sinto lá com elas
tão belas, tão belas.

O infinito pariu
cada uma de vós
do ventre dos sonhadores
em busca de amores
e da amada, distante
que já partiu.

Na prosa, me despindo
devorando meia taça de vinho;
estrelas me diziam:
"Amar, em primeira e última instância,
é a única salvação do indivíduo
endividado com o destino".
Que provocação a se fazer por elas;
tão belas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Meu Guarda-Chuva


O céu já dizia
que por mais
tardio
que fosse
à todos
molharia;

acontece
que não
demorou,
as primeiras
gotas
de manhã
já molhou
e apenas
um
guarda-chuva
no meio
de dois
ficou.

em meio
ao vai e vém
do pobre
objeto,
os dois
sentaram
e prosearam;

o clarão
dos relâmpagos
assustava,
a hora
passava
e o ônibus
nem esperava,
por mais tempo
ele ali
ficava; (sem se importar)

mas a hora,
como tudo
na vida,
chegou
e então
caminharam
lado a lado
até
a despedida;

ela
virou-se
e
ao
partir,
o vento
fez-se
rir
destruindo
o guarda-chuva;

naquela tarde
um lindo
crepúsculo
sorriu
do outro lado
do mundo.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Aurora de Primavera


Deitar-te
sobre um verde
sereno
para
abraçar-te
em meus braços
morenos.

Afagar-te
os cabelos
ao vento
para
felizar-te
apenas
um momento.

Olhar-te
com suspiros
plenos
para
contentar-te
em sentimentos
amenos.

Amar-te
sem mais
medos
para
descobrir-te
todos
segredos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Banal


Tenho medo
de querer
algo que
não se deve
querer;

pois quando
eu quero
até
o padre
curva
a chuva
para
o sol
se esconde
a lua
clara;

a vida acha uma graça,
mas logo passa...

depois
fico
meio
assim,
sem saber
de nada,
pensando
sentado
na
privada.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Esqueleto do Amor


Sonhei
e lá de cima
do infinito
ouviu;

despencou
da montanha
do universo
e caiu;

um anjo
sem asas
na esquina
surgiu;

uma flexa
no meu
coração
feriu;

devolvi
retruquei
lancei
sorriu.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Caveira na Estante


Sete mil vítimas
das sete mil
doses
de
pôr do sol
primaveril
que ostentaram
algo mais
que o sonho
indiferente
no gole de chá
de camomila
às sete da manhã
de um domingo
doloroso
que dizia
ao vento:
"as faces
do destino
são distintas,
parecem
interessantes
e o são,
mas são antes,
ilusão".

a caveira na estante
observara
sem
dizer
absolutamente
nada;

parecia-me
a morte
suplicando
ao divino
por apenas
uma dose
daquelas
sete mil vitimas
vitimadas
pelo
pôr do sol
primaveril
que ostentava(...)
ilusão".



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Porcos de Guerra

 
Generais reunidos em suas massas
Como bruxas numa massa negra
Mentes diabólicas que tramam destruição
Feiticeiros de criação de morte
Nos campos os corpos queimando
Enquanto a máquina de guerra continua agindo
Morte e ódio à humanidade
Envenenando suas mentes com lavagem cerebral
Oh, Senhor yeah!

Políticos se escondem
Eles apenas iniciaram a guerra
Por que eles deveriam sair para lutar?
Eles deixam isso para pobres, yeah!

O tempo vai mostrar a força nas suas mentes
Fazendo guerra só por diversão
Tratando as pessoas como peões de xadrez
Espere até que dia do julgamento deles chegue, yeah!

Agora na escuridão, o mundo para de girar
Cinzas onde os corpos deles queimavam
Sem mais porcos de guerra no poder
A mão de Deus marcou a hora
Dia do Julgamento, Deus está chamando
Ajoelhados, os porcos de guerra estão rastejando
Implorando perdão por seus pecados
Satã, gargalhando, expande suas asas
Oh, Senhor yeah!
 
(Butler/ Iommi/ Ward/ Osbourne)

domingo, 7 de outubro de 2012

Ponte

                                                     

                                               Vê se me tira!

Vê se me tira daqui!                                                          Vê, vê se me atira!

                                               Vê se me atira

                                                     
                                                      aqui.

Vê se me sente!












                                          Vê se me sente assim!

Sente assim?                                                                                      Vê?

                                   Vê se sente, me atira e tira daqui!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Lista


Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

(Oswaldo Montenegro)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Diz amor


Pra que irei
me perder
agora
se já
lá fora
você não
está?

Pra que vou
me jogar
no vento
se já
você
não sabe
soprar?

Pra que deter
o tempo
se já
relento
você
parece
ser?

Pra que ficar
feliz
na véspera
se já
adianta
a vida
você
pra mim?







quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Entre Versos


No fundo
me olhando-
ou profundo
-eu vago
pelo seu pescoço
padecendo tentação.

em meio à confusão
folhas verdes
gotejantes
e dos telhados
molhados
malhados,
estou preso.

São apenas
quatro paredes
em milhões
de
quatro paredes.














Viva a liberdade.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Romance


você faísca
eu explosão

aquele dia
na beira mar
beirei seus lábios
e em mel
lambuzei,
beirei seu corpo
no mar
deixei.

você faísca
eu incêndio

outro dia
na beira rio
riu de mim
da minha palavra
e de triste
chorei,
beirei abismo
seu corpo
silente
matei.




domingo, 23 de setembro de 2012

Verdade de Pedra


Afinal,
é o que nos resta,
achar e achar
sem sobra de certeza
nenhuma.

Afinal,
passamos a vida toda
à procura do que procurar
e seria tão,
mas tão injusto
procurar
e passar
envelhecendo,
passar
remetendo
passado
e não
colher
um simples
achado.

sábado, 22 de setembro de 2012

Pernas


vontade de cruzar
com suas pernas de novo...
e de novo.

mas nunca mais,
ou talvez, até mais
quem sabe ali
onde vejo meu rosto
junto ao de outra
ali mesmo
onde beijo com gosto
as pernas de outra;
sempre será assim.

linda,
assim te chamava
assim chamei outras
e chamo ela agora,
mas sempre será assim;
contente com isso
amarei todas
morenas, loiras, francesas
e cruzarei com as pernas
delas
novamente.

sempre será assim.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Foi só há pouco tempo atrás

quase amanhecendo
pássaros pretos no fio de telefone
esperando
enquanto eu como o sanduíche
esquecido de ontem
às 6 da manhã
em uma tranquila manhã de domingo.

um sapato no canto
de pé
o outro posicionado ao seu
lado.

sim, algumas vidas foram feitas para ser
desperdiçadas.

(Charles Bukowiski)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Todo Amor é Igual


Acordo de manhã
serenata ao pé do ouvido,
esquentar o café,
seu corpo atrevido...
seus olhos, distantes
seus olhos, instantes
seus olhos.

Paro, só paro
vejo tudo
que você me tem,
aqueles recados
de madrugada,
o nome das minhas
ex-namoradas,
amargas.

Alta, se aproxima
de mim
magra, se cobre
de mim
deita em mim,
relaxa em mim,
veja em mim
amar de mais assim.

E todo amor é igual,
um poema não é
mais que um dilema,
assim como o norte
do meu coração
me leva, sempre,
em uma irônica
direção.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Pela Luz dos Olhos Teus


Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar.

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar.

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais larirurá.

Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar...

(Vinícius de Moraes e Toquinho)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sexo


Aqui estou
consumindo a saudade
até o último soneto.

Pernas, cabelos e olhos...
é sempre o que me encanta,
se não tiver metade disso
nem tente achar
amor em mim, saudade.

Beijos, beijos profundos
beijos que tocam a alma
beijos que deixam nu
beijos que carecem,
carecem muito amor.

Vinho derramado
na cama de outrora
no passado de outrora
na verdade de outrora
...todavia, outrora
era sexo.

E falando em saudade,
que vai e vem
num ciclo finito
até despertar
vaidade,
pensei em você.

Eu tenho até
aguentado
insolente e mórbido
cosumido e vendido,
mas tenho...
e como dizia o Velho Bukowski:
"espero que a morte reserve
menos do que isto."


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Domingo


Passos lentos, desanimados, mendigos...é domingo, que alegria! Escorrego e...ahhh, cabeça no meio-fio, desmaio ao som dos sinos da igreja.
Visão turva, tontura, o que acontece? Aos poucos me lembro e me enfureço de raiva, ódio! Como pode? Como pode ser tão desgraçada a vida? Quantos domingos são necessários para pagar todos pecados?
Agora os carros passam, as famílias passam com suas crianças insuportáveis, todas tão alegremente felizes, ai como é bom domingo...vamos à igreja agradecer pelas nossas vidas medíocres, nossos trabalhos escravos, e seus amores, seus amores ridículos!
É domingo crianças, hora de passear sem vontade com seus pais...
Ainda agonizo no chão, meio tonto, jorrando sangue e vendo os carros passar...Deus, porque parou e descansou?


Poema do Livro "Pensamento do Chão"


quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina

sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
  
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)


acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim


                      e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando. 

(Viviane Mosé)

sábado, 25 de agosto de 2012

Margens da Vida


Feliz é a rua
que pisada por todos
vê o mundo, vê tolos,
vê você e me vê e gemia,
fodia, vivia.

Saudade se tem
do medo e agonia,
naquele tempo em
que as putas gemiam,
fodiam, viviam.

O tempo dança
uma dança que trança
a esperança de vingança
da ironia que,
gemia, fodia, vivia.

A verdade esconde
a si mesma, com propósito
nenhum, a não ser não ser
gemida, fodida, vivida.

Tente entender
o que se vê na rua,
que tem saudade
e o tempo dança
a dança, que
a verdade escondida
tem que ser: gemida,
fodida, vivida!


terça-feira, 14 de agosto de 2012

É o que me interessa


Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

(Lenine)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Liberto-me


Maldição! Como hei de compreender a mim mesmo se tão pouca inteligência me foi dada e um espírito maior que a ampla natureza foi me entregue?
O suicídio veemente desse plano vem me perseguindo como idéia realizável. Não por loucura, que tão pouco existe, mas por solidão! Onde há alguém pensável? Alguém está sendo como eu?
E essas dores de cabeça de conhecimento...Desisto! Desisto! A natureza pregaste uma peça em mim e sou refém da futilidade desse tempo!
Ouço meus sentidos e perco a mente limitada! Sou Deus, sou o Homem, sou o Tempo, sou o Espaço da Existência, sou o Todo em relação com o Nada!
Liberto-me de mim, heis que sou a verdade...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Chora


Ele segue pro trabalho todo dia
como uma pessoa qualquer.
Ele fuma seu cigarro todo dia
como um viciado qualquer.
Mas ele ainda quer...

Diz: "estou pronto,
que venha tudo de novo."
Mas ele quer o velho,
o que sufoca o peito...
Ele quer de qualquer jeito.

Ao final do dia, sem alegria.
Joga fora o tempo
que não lhe aproveita
nem por um momento.
Mistura o sentimento...

Mas apesar da normalidade,
quando a  lua já ilumina
e lembra da menina, sua sina,
Deita, cobre o corpo e por hora,
ele chora.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Amor

 
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
 
(Luís de Camões) 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

D. Crepúsculo


Dom Crepúsculo, envio essa carta informando do vosso falecimento às 17h54 nessa última tarde de inverno, numa quinta-feira, à beira do abismo psicótico. Enquanto conversava consigo mesmo, em prosa aos pseudoamigos que tanto lhe agradavam, surtaste sem mais razões do que a própria loucura e abriste mão da vida inperpétua que viveste.
Sem mais explicações, sem mais delongas, quero em primeiro lugar, apresentar o meu devido respeito à sua obra de morte, que construíste em meados da vida inteira, com tanto esmero e aprazado empenho sofisticado, que abriste a minha mente ao final do caminho... Teria noção da prazerosa companhia que foi perdida ao seu deleito? Teria noção da enorme ausência que meu próprio ser teve em construir e perder a maior criação do próprio ego? Agora é tarde, é inverno sustentado ao tempo e luto eterno do meu pensamento.
Adeus, meu caro pedaço de mim.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mulheres


Eu conheci algumas mulheres...há aquelas interessantes, inteligentes, que falam de Socrátes, metafísica e a existência de Deus...elas são interessantes, sim, leva algum tempo até que julguem sua opinião válida e aceitem um jantar em uma biblioteca empoeirada...transam sem gosto, sem sentimento, transam teoricamente, é uma aula de corpo humano e nada mais, as odeio.
Um segundo tipo de mulher: "as humildes"; não dão opinião em nada por serem discretas, não sabem e se sabem não se julgam sábias de dizer...ao final da noite dão um beijo em cada homem por serem tão simpáticas e humildes...me causam raiva, nem as provei.
Existemas românticas, francesas, apaixonadas...como me cativam! São necessárias poucas palavras e já estão em sua cama, gritando como um lobo na matilha, um sussurro ao ouvido, uma garrafa de vinho e uma ponta de cigarro no cinzeiro...eu as amo! São dias quentes em seus abraços até que a paixão as enlouqueça e corram para outros braços,  bêbadas, chorando...as conheci muito bem.
As "equilibradas" seriam o tipo certo...não são tão religiosas, nem tão sábias, nem tão apaixonadas, não são quase nada. Leva dias a conquista, demora, machuca, faz sofrer, faz chorar...e no final não são nada, um tiro curto no escuro que adentra o meu coração...me lembro de poucas.
Hoje, eu, velho e cansado, meu filho, que é filho de uma delas, pouco sabe sobre sua mãe. Se é das interessantes, julga mais sábio que ele fique com o pai carente; Se é humilde, julga mais certo cuidar de crianças órfãs da igreja; Se é romântica, envergonha o menino com suas transas e traições; Se é equilibrada, é tão sem graça que o filho prefere a solidão...ah, meu querido filho.
Mas eu lembro de uma moça aos meus velhos dezoito anos, que já passaram há muito tempo, meu único e verdadeiro amor. Não era como nenhuma delas, era especial, era perfeita, era o mar com sua imensidão trajada nos olhos verdes...guardo seu presente até hoje, uma caixa que mantém meu coração sentindo, com flores, velas, perfumes e cartões que eu escrevia...embaixo da tatuagem de lua, que encobre uma cicatriz em minha perna, uma cicatriz que sempre me lembrará ela, que hilário, as lágrimas e o sorriso saem ao lembrar do dia em que acontecera, feita pela fera e encoberta pelo rosto dela...que hilário.
Meu amor, se estiver a ler isso, anos após o dia em que escrevo, ou quem sabe, amanhã, eu sinto sua falta...realizara todos os seus sonhos? Tem uma família linda como prometido? O seu homem lhe trata melhor que eu? E seus tios, mãe, irmã e esposo, sua avó? Quantos cães você têm? Qual o nome dos seus filhos?  Você me mencionou? A bíblia falará de vocês? Você...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Íngreme


Quando aquela antiga voz
te chamar
ateie fogo ao primeiro bar
e as súplicas de dor faltarem
lembre-se do dia,
da alegria,
suicide-se e repouse...

O sol deitou-se, sobre mim
um raio sombreado,
apaixonado pelo fogo
àrduo, escapo
e logo me vejo,
sem medo,
deitado ao léu e preso ao céu...

Você, confusa e inconstante
como esse poema,
como um dilema,
um espaço fundo pro acaso,
ai que perdição,
mas minha escolha
e dessa vez, sim,
dessa vez,
vocês não contarão comigo, amigos.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Faltando Um Pedaço


O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha
Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha:
Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha.

O amor é como um raio galopando em desafio
Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho
Na pureza de um limão ou na solidão do espinho.

O amor e a agonia cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço
E o coração de quem ama fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços.

(Djavan)