segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Versos Perdidos


De mim,
Sei tudo com perfeição.
De você,
Mal sei se está aqui
Ou em outra direção.

De você,
Sei que amo de paixão.
De mim,
Mal sei se gosto
Ou vendo o coração.

________________________


Lembro da infância
Com ânsia
Gosto de ar quente
Memória de demente.

E nada mais eu lembro
Só vejo alguns remendos...


_________________________


Não me satisfaz
O tratamento com desdém
Que me fez assim, viver,
Esse momento de embriaguez.

domingo, 4 de setembro de 2011

Sol de Primavera


Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar

Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender...

(Beto Guedes)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Poesias de Paulo Leminski ²


DESENCONTRÁRIOS

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.


PARADA CARDÍACA

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

____________________

não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino

____________________

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Brasil


Derramo meu sangue em teus pés
Mas não me orgulho de quem tu és
Morro por você
Mas antes quero comprar uma Tv.

Não cuspo no prato que como
Mas ele é Made in China
Então porque te defender
Se aumentaram o preço da gasolina?

Não quero seu pão francês
Não quero seu molho inglês
Quero que você faça história
Quero que você fique na memória.

Está aí algo que quero ver
Você mostrar tua cara
E bater no peito, dizer quem é
Não se esconder atrás de algum Zé Mané.

Honrar teu manto e oração
Fazer de nós, brasileiros, pedaço do coração
Agarrar qualquer um que seja filho na nação
Dar ordem, progresso e... corrupção.

Quase Nada


De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada

(Zeca Baleiro)

Tudo Por Acaso


Eu sei!
Tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera distração...

Eu sei!
Por impaciência
Por obediência
Pura intuição...

Qualquer dia
Qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora
Tudo é invenção...

Ninguém vai
Saber de nada
E eu sei
Pelo sentimento
Pelo envolvimento
Pelo coração...

Eu sei!
Pela madrugada
Pela emboscada
Pela contramão...

Ninguém vai
Saber de nada
E eu sei
Por qualquer poesia
Por qualquer magia
Por qualquer razão...

E eu sei!
Tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera diversão
Mera diversão...

Ninguém vai
Saber de nada
E eu sei!...

(Lenine)

Insonia


Não consigo dormir, rosto medonho,
Me pregar no mundo dos sonhos
Por culpa sua, olhos vermelhos,
Cara estranha nos espelhos.

Na verdade, preciso aprender
A te consumir, te saborear,
Tô tentando descansar
Mas você não deixa, quer me sufocar.

Te descobrir sozinha, numa chícara de café
Fervendo, queimando, querendo
Saborear teu amargo gosto, negro.

Me causa esse mal sem igual
Me impede completamente de relaxar
E só saber pensar em amar, amar, amar!

domingo, 14 de agosto de 2011

Pai


Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
É que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar


Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai!

(Fábio Jr.)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Mundo


O poeta chora e desmancha como
Um fruto estragado, com o pranto
Se tranforma em luto profundo
E esquece o mundo.

Não quero que você
Caia em depressão, meu amor
Porque eu já caí e me perdi
Sumi de todos e de tudo, me fudi no mundo.

E hoje eu sei como é sofrer
Perder sem antes ganhar
Apanhar sem ao menos tentar
Sucumbir no mundo.

Pra que você não pense que estou louco
Eu estou rouco de gritar e me ferrar
Estou tentando me lembrar
De como era bom nunca amar.

Mas eu quero que se dane
Estou aqui pra ganhar
Vou viver até o último segundo
Querendo esquecer o mundo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sinfonia


Dó quando passou pelo tempo
Só passou, não ficou, sedento
Deixou passar o tempo, sem momento.

Renasceu sob a névoa escura
Se perdeu quando a manhã nascia
A chuva caía, seu coração fervia.

Misturou então seu coração com o ferro
Criou sua paixão, forte, com esmero
Mas a lua surgiu e a saudade bateu.

"Faz-se passado omitido, futuro obtido"
Dizia enquanto caminhava sozinho
A lua ainda no véu se desenhou no céu.

Sol então se chamou
Pois pela lua se apaixonou
Sempre vinha vê-la, mas nunca encontrou.

Lá por volta das seis
Conseguiu encontrá-la, beijá-la, saciá-la,
Mas quando a lua surgiu, ele partiu.

Sim, durou eternamente esse amor
Às vezes se encotram no pôr ou no nascer
E às vezes escuressem à todos e se amam com prazer.

Todo o Amor Que Houver Nessa Vida


Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

(Frejat/Cazuza)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Conto do Rei


Em um povoado muito, muito distante... onde as coisas eram o que realmente pareciam ser e as palavras ecoavam sobre o medo e a dor, onde não havia um rei e nem um poder central, onde todos viviam em harmonia com o céu e o inferno, houve um tempo de dúvida...
Nesse meio tempo, o que era certo se tornou errado, o que era claro se tornou escuro e as palavras de um homem tornaram-se o que acontecia e o que deixava de acontecer.
Não que fosse culpa dele, mas ele se tornara o Rei daquelas pessoas, o único a quem realmente importava... mas ele tão pouco sabia disso, nem ele e nem o povo sabiam.
Começou tudo com seu carisma e senso de humor agradável, seus atos e seus confinamentos, seus segredos... pouco a pouco conquistava à todos sem saber, tudo que dizia era ouvido com a maior atenção, tudo que era feito era repetido com o maior cuidado pra ser totalmente igual ao de sua autoria... mas sua distração fazia com que ele vivesse a vida normalmente, mesmo mudando a direção total na vida dos outros...
Os dias passavam e nada era notado... nenhum sábio soube ver àquilo, nenhum homem de fé soube perceber a tragédia... mas um velho mago da floresta notou uma singularidade no ar, um comportamente comum a um povoado livre, aquilo tornara-se um Reino.
O mago pôs-se a caminhar em direção à pessoa que parecia ser o pioneiro, como uma aranha tecendo suas teias, no caso, jogando suas palavras ao vento e construindo o destino de vidas. Com um puxão firme nas roupas do homem, o velho o puxara num canto e lhe dissera as seguintes palavras:
"Com palavras fez-se Rei, sem saber. Com palavras domina homens, mulheres e crianças, sem saber. Com atos rompeu barreiras e ditados, sem saber. E com minhas palavras desfaz-se Rei e desfaz a tragédia que começou, sem saber. Assim será!"
O mago partiu rumo à sua casa na floresta e mudara o destino de tudo. O homem confuso não entendera de princípio... mas o tempo fez com que amadurecesse e percebesse a disgraça que tinha feito, sem saber. Caminhou até a ponto mais imponente do povoado e disse as palavras, com medo, sem saber:
"Vocês fazem o que faço e dizem o que digo. Eu poderia fazer o que quiser com vocês que nem notariam. Tenho pena, sem saber..."
O povo se revoltou e daquele momento em diante, só fazia o contrário do que o homem dizia e fazia...
Com as palavras rudes e sem sentimento que sairam da sua boca, ele pensou fazer de escravos, homens livres... mas sem saber, continuou a comandar o povoado... agora suas palavras e atos mostravam o que era errado e o certo era ao contrário... continuou a controlar destinos, sem saber... continuou a ser Rei, sem saber...
E viveram sem saber para sempre.

"Quem não procura, com certeza acha. Vai para você o que deve ir para você, sem depender de você. E se depender de você, provavelmente não irá."

'Fim'

terça-feira, 12 de julho de 2011

Inferno


Inferno que vos mantém aquecido
Que vos gratina em meio ao caos
Que vos cozinha na panela do mal
Seja bem-vindo, ao teu mundo real!

É aqui, em meio à dor, que tu estás
É aqui que teu dono preside
Na terra antes chamada de lar
Hoje destruída pelo mar que vos cerca!

Ao som da corneta celestial
Satã invoca tua sabedoria magistral
Todos os tolos remam para longe
Ouve-se um grito que range a terra!

As portas sempre estão abertas
Ao pecado e à tentação
Fechadas serão, se tu és cristão
Cala-te aqui, não mereces o perdão!

Não há mais nenhuma esperança
Bruxas trançam suas tranças
Enquanto a lua é coberta pela fumaça
Da desgraça de queimadas de carcaça!

Uma gargalhada risca a noite
De leste à oeste, um sussurro no escuro
Lúcifer sentado em seu trono imperando
O inferno que você morre devorando!

domingo, 10 de julho de 2011


Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.

(Edgar Allan Poe)

Uma Vida


Uma vida
Minha dádiva maior, benção divina, milagre dos céus
Que pessoa é essa? Capaz de invadir todo meu ser...
Sim, ela é jóia rara, bem precioso, inigualável, única, verdadeira...
Nome de anjo, voz encantadora que até parece o doce som do mar, que encanta a todos...
Os seus olhos são os mais belos que já vi, parece que enxergam o mundo diferente, quando olho para eles...
Me sinto, mais corajoso, sinto que tudo é possivel, é como se a pessoa estivesse indo ao paraíso sem ter saído do lugar...
Como se estivesse atingido o inatingível... Sei que estás tão longe... muito distante da minha realidade...
Porém, a distância não pode apagar, não pode matar, o que nunca acabará...

"Só sei dizer que te amo, que te quero, que não vivo sem você. Cada minuto longe, me faz te querer, você é tudo, você é meu bem querer."

'Junior'

sábado, 9 de julho de 2011

William Shakespeare


"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,

Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;

É astro que norteia a vela errante,

Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;

Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.

Se isso é falso, e que é falso alguém provou,

Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou".

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Versos de Um Bêbado


Uma, duas, três árvores...
Quatro, cinco, seis árvores...
Sete, oito, nove árvores...
Estou no chão!

Suas palavras são como pregos
São marteladas na minha cabeça
Enquanto estou entorpecido
Sou facilmente vendido.

Meu coração está acelerado
Já não sei mais
Se estou bêbado
Ou apaixonado.

Eu não durmo
Eu não sinto
Eu não como
Eu não penso
Eu não quero
Eu não preciso
Eu não peço
Eu não sou
Eu não serei
Mas eu já fui...

Sonhos e sonhos e sonhos
São construídos enquanto bebo
Enquanto bebo e bebo mais um pouco
E nunca é o bastante, nunca!

Negações sobre o que não é
As pessoas mostram quem são
Exageradamente elas mostram como são
São assim, quando bebem, quando realmente são.

Nove, oito, sete árvores...
Seis, cinco, quatro árvores...
Três, duas, uma árvore...
Estou de pé!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Soneto de Mim


Estou precisando me achar
Em cada lágrima, em cada olhar
Não sei mais se sou o que sou
Ou o que era, que passou.

Estou querendo me ver
Quem sabe marcar um encontro
Quem sabe deixar de sofrer
Ou até mesmo só mesmo viver.

E deixar o que me fez
Desta vez, um pouco mais frágil
Afundando na vida como um naufrágio.

E pensar que demorou tanto
Pra encontrar, o que me fez voar
Um mapa perdido na memória, pra me localizar.

Raul Seixas


"Eu já fui de vários jeitos
Jeitos que não eram eu
Demorei a encontrar meu caminho
Trilhando caminhos que não eram o meu
Mas ao longo dos caminhos
Encontrei muitas flores
E também muitos espinhos
Descobri vários amores
Enfrentei vários temores
Pelas beiras dos caminhos
E eles foram se fundindo
Todos em uma coisa só
Os caminhos, os amores
E os temores
Tudo o que encontrei
Tentando ser o que não era eu
Transformou-me no que eu sou
E formou o caminho
Que finalmente era o meu..."

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Como Dizia o Poeta


Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Nao há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.

(Vinicius de Moraes)

domingo, 3 de julho de 2011

Tu


Aquilo que condenas
Não condenas.

Tu és o paradoxo
De ti próprio,
A luta da tua luta,
A compreensão do incompreensível.

Dizes o que não pensas.
E não pensas o que pensas.

Amas como dizes não amar...
Sentes como dizes não sentir...

Não és poeta mas és fingidor.
Só não sabes que és ambas
As coisas
E que em ti nascem e morrem
Infinitos;
que em ti se consagram
Mundos e vontades,
Que és nascente de rio
E foz ao mesmo tempo
Só não sabes que sabes
(ou saberás que sabes?)

(João Mattos e Silva)

O Homem Que Vendeu O Mundo


Nós passamos pela escada, falamos do que foi e quando
Embora eu não estivesse lá, ele disse que eu era seu amigo
Qual veio como uma surpresa, eu falei dentro dos olhos dele
Achei que você tinha morrido sozinho, há muito, muito tempo atrás

Oh não, eu não
Nós nunca perdemos o controle
Você está cara a cara
Com o homem que vendeu o mundo

Eu ri e apertei sua mão, e fiz meu caminho de volta pra casa
Eu procurei um jeito e lugar, por anos e anos vaguei
Eu encarei com um olhar vazio milhões de montanhas
Eu devia ter morrido sozinho, há muito, muito tempo atrás

Quem sabe? Eu não
Eu nunca perdi o controle
Você está cara a cara
Com o homem que vendeu o mundo

Quem sabe? Eu não
Nós nunca perdemos o controle
Você está cara a cara
Com o homem que vendeu o mundo

(David Bowie)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Você Cresceu em Mim


Você cresceu em mim como um tumor
E se espalhou através de mim como o melanoma maligno
E agora você está no meu coração
Eu deveria ter cortado antes de começar...

Agora eu estou com medo não há cura para mim
Nenhuma dose de quimioterapia emocional
Pode parar minha queda patética
Eu devia ter removido quando você era benigno...

Eu escolhi-te como um vírus
Como a meningite meningocócica
Agora eu não consigo sentir minhas pernas
Quando você está por perto eu não posso sair da cama...

Eu deixei-a tarde demais para uma operação de risco
Eu sei que não há nenhuma esperança para uma amputação limpa
A remoção bem sucedida de você
Provavelmente me matará também...

Você cresceu em mim como carcinoma
Subiu em mim como o glaucoma não tratado
Agora acho que é difícil ver
Esta dose não tratada de você me cegou...

Eu deveria ter consultado o meu médico local
Eu estou preso agora para sempre com esta visão de túnel
Minha periferia é parafusada
Onde quer que eu olhe agora, tudo o que eu vejo é você...

Quando nos conhecemos você parecia volúvel e superficial
Mas minha armadura não era páreo para a sua flecha envenenada
Você está presa dentro do meu peito
Se eu tentasse levá-la para fora agora, eu poderia sangrar até a morte
Eu estou sentindo falta de ar...

Você cresceu em mim como um tumor
E se espalhou através de mim como o melanoma maligno
E agora você está no meu coração
Eu deveria ter cortado antes de começar...

(Tim Minchin)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Evadir


Creio que nada haverá
Daqui algum tempo'

Evadindo de nós mesmos
Seremos poeira'

Saudades e saudades
Que nada mudará'

Subestimando os amigos
Superestimando os inimigos'

Voando com a solidão
Em busca de felicidade'

Não é assim a realidade
De quem vive de verdade'

Evadindo dos sonhos
Não alcançando nada'

E quando os olhos
Fecharem na escuridão'

Não terá rendido
O que se espera do coração.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Versos de Um Dia Qualquer


Bom dia, dia qualquer
Nada passa pela minha cabeça
Só penso em seus doces traços
E derramo meu corpo sobre o sol.

Pão e uma chícara de chá
Estou em mim e de repente estou lá
Com você, aonde está você?
Hora de me banhar.

Renovado e arrasado
Espero calado pelo meio-dia
Sento-me com um ar de melancolia
Penso logo no que me dizia o céu.

Almoço aguardando o tempo passar
Preparo-me para uma longa estrada
Não busco nada, não sei pra onde vou
Sei que algo me espera além de onde estou.

Paro e peço um maço
Ando por horas, pensamento voa livre
Distraído de tudo quase perco a vida
Disperço-me pra fora e acendo um cigarro.

Estradas e carros só o que vejo
Onde estão as flores?
Onde estão os amores?
Onde estão os pássaros do dia qualquer?

Afasto-me e outro cigarro
Deixo que a fumaça me desfaça
Que me faça lembrar seus cabelos
Que não deixe esquecer-te.

Anoitece no dia qualquer
As estrelas surgem belamente
Seus olhos são lembrados pelo verde
Sua boca se faz no ar.

Como sua voz é feita na minha cabeça
Como eu deixo que você me enlouqueça
Como eu tiro você do nada e jogo no tudo?
Boa noite, dia qualquer.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry


(...)
"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Bom dia - respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - perguntou o principezinho.
- Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs o princípe
- estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?
- Procuro amigos - disse. - Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessiddade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera - disse o principe - mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
- Os homens esqueceram a verdade - disse a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Espírito Adolescente


Tocado pelo cinza e toda forma de dor
Acendendo um cigarro antes do sol se pôr
Deitado na cama com uma faca na mão
Esperando que nada tenha sido em vão.

Deixado pra trás, embora feliz
Não quero que ninguém repita o que fiz
Minha alma é vendida por uma bebida
Meu dom é caçado e estuprado.

Esqueça de mim e cuide da sua vida
Não perca mais tempo nessa corrida
Quando perco a noção e caio no chão
Sei que não pareço mas logo espaireço.

Achei que isso fosse fácil mas nunca vai ser
Achei que poderia enganar mas nunca vou vencer
Nunca quis mais peso em minha cabeça do que poderia aguentar
Nunca quis ser adolescente e perceber que não poderia amar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Segredo


Não digo, não ligo, não importo
Apenas exporto, de outrora, alguém com desdém.

Não escondo, mas também não mostro
Qualquer segredo que foste meu é desbotado com o tempo.

Horizontes de luxúria e mares de orgulho
Nunca fizeram parte da minha história assombrada pelo passado.

Lembranças da minha infância soberba
Tornam meu presente um grande poço infame de ilusões.

Metáforas e personificações do mundo
São apenas palavras pra quem busca o último ato antes do silêncio.

Nas gotas puras do orvalho de outono
Foi aonde desvendei os singelos segredos do oceano.

Nas puras palavras de uma criança
Foi aonde descobri os perfumes de quem busca esperança.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Único


Não consigo me lembrar de nada
Não consigo dizer se isto é sonho ou realidade
Dentro de mim sinto vontade de gritar
Este terrível silêncio me impede

Agora que a guerra acabou comigo
Eu acordo e não posso ver
Que não resta muito de mim
Nada é real a não ser a dor agora

Prendo a respiração
Enquanto desejo morrer
Oh, Deus, por favor acorde-me

De volta ao útero é muito real
Para dentro injeta-se a vida que tenho de sentir
Mas não posso olhar para frente e imaginar
Ver a vida que terei

Alimentado por tubos enfiados em mim
Como num romance de guerra
Ligado a máquinas que me fazem existir
Tirem-me desta vida

Prendo a respiração enquanto desejo morrer
Oh, por favor, Deus acorde-me

Agora o mundo desapareceu, eu sou o Único
Oh, Deus, ajude-me a prender a respiração enquanto desejo morrer
Oh por favor Deus ajude-me

Trevas aprisionando-me
Tudo o que vejo: horror absoluto
Não consigo viver
Não consigo morrer
Preso dentro de mim mesmo
O meu corpo é a minha cela

Campo minado arrancou-me a visão
Arrancou-me a fala
Arrancou-me a audição
Arrancou-me os braços
Arrancou-me as pernas
Arrancou-me a alma
Deixou-me com a vida no inferno.

(James Hetfield / Lars Ulrich)

domingo, 5 de junho de 2011

Sobre Você


Hoje o sol nasce em volta de ti
Hoje a lua nasce louca por mim
Hoje o sonho é sobre você.

Em vez de lágrima torna-se sorriso
Em vez de escuro torna-se claro
Em vez de diferente torna-se igual.

Lábios em minha mente são teus
Lábios desejados pelos meus
Lábios que dizem tudo e nada falam.

E nada pode ser sem ter algum drama
E nada seria se não houvesse uma trama
E nada é em mim sem você agora.

Nos meus silêncios e melancolias
Nos meus tristes e felizes encantos
Nos meus planos e segredos.

Amanhã pode ser nosso primeiro ato
Amanhã pode ser nosso ultimo olhar
Amanhã pode ser meu hoje.

Everything in my art is about you'