sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Interpretação
Vivemos, mais do que nunca, na realidade da filosofia. Não interessa saber, mais do que saber, sobre a própria existência. O que me interessa notícias vãs sobre vidas de outros que não sabem de novidades efêmeras(pleonasmo) da minha vida?
Mas, além do presente que já se diz como presente, há algo mais provocante: o interpretar!
Vocês, com suas mentes fracas, leem isso e concordam ou discordam, ou ficam em cima do muro(típico de sabichões) com medo. Muito medo!
Agora, hão de me acusar de ridículo, exibido, ignorante, arrogante, pretensioso, mentiroso, demoníaco! Ou vão me aceitar de braços abertos e dizer que é exatamente isso que pensavam...quanta bobagem!
Seus problemas não me interessam, volto a repetir, e mais, saim já daqui! Parem de ler! Fujam, covardes, para detrás dos seus "Deuses Pessoais"!
Interprete-me como quiser: me obedeça, ignore-me.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Antigo Ano Novo
Não diferente
da arrêta
do ano
anterior
no interior
frente à frente
coração
com outro
que indiferente
provoca
mas
não
se
rende.
Adianta
de quê?
antes eu
oferendar
do que
cedo
me
negar
à
oferecer
a
mercê
off
de
você.
Vai e vai
vem
um pouco
vai-se
de
uma vez
vem
mais
um pouco
vai e vai
foi-se
pigarreando
o antigo
ano
novo.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Amiúde me ajude
Felicidade
não é
minoridade
de dor,
é quando
a pessoa
corriqueira
no pesar;
senta
esquiva
esguia
sofre
consegue
amar.
Avacalhado
coração
de
homem,
alarmado
no
interior
envelhecido;
a paz
que lhe falta,
saber mais
que um
Deus
convencido.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Epitáfio de Vida
Esquecermos,
leis físicas
complexos químicos
ciência da psicologia
inconstância da psicanálise
refluxos sanguíneos
filosofias individualistas
sociedade líquida
aquecimento global
corrupção política
literatura moderna
religião morta
música sem sentimento
poesia sem poetas...
pois
ontem,
sábado à noite,
ouvi
o que
sempre
se
pode
ouvir:
"você
me
alegra,
você
me
ilumina".
Pensar;
afinal,
para
quê?
Sentir;
posto
que
é
o melhor
que
se
pode
fazer.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Milagreiro
Agora vamos ter os girassóis
Do fim do ano,E o calor vem desumano...
Tudo irá se expandir
Crescer com as águas
Quiçá, amores nos corações...
E um santeiro,
Milagreiro
Prevê a dor
De terceiros
E diz que a vida
É feita de ilusão.
E um santeiro,
Milagreiro
Prevê a dor
De terceiros
E diz que a vida
É feita de ilusão.
Aquela que um dia o fez sonhar
Se foi com o outro
No dia em que os dois
Se casariam por amor...
Ele aluou.
Hoje o seu pesar
Cintila nos varais
Usou as sete vidas
E não foi feliz jamais.
Toda a imensidão
Passou pela vida
E foi cair na solidão.
Mais um santo para esculpir é o que lhe vale
Pra evitar que o rancor suas ervas espalhe.
(Djavan)
sábado, 15 de dezembro de 2012
Migalhas
Migalhas,
estou à procura
de
migalhas.
Migalhas
que
sejamafinal,
de
sentimentos
bons
ou
ruins,
mas
que
sejam
sem
dúvida
migalhas!
Não,
que
sejam
afinal
sentimentos
de
migalhas.
Engano,
sejam
essência
como
migalhas
de
sentimentos;
sejam,
finalmente,
acabadas:
"a existência
de
migalhas".
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Qualquer Amor
Só se
pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio,
se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.
(Guimarães Rosa)
(Guimarães Rosa)
Meu Velho
16 anos de idade
durante a depressão
cheguei em casa bêbado
e todas as minhas roupas -
calções, camisas, meias -
pastas, e páginas de
contos
tinham sido jogadas fora
sobre o gramado da frente e na
rua.
minha mãe estava me
esperando atrás de uma árvore:
"Henry, Henry, não
entre... ele vai
matar você, leu
suas histórias..."
"posso chutar a
bunda dele..."
"Henry, pegue isso
por favor... e
procure um quarto para você."
mas o que o preocupava era
que eu talvez não
terminasse o colegial
então eu voltaria
outra vez.
uma noite ele entrou
com as páginas de
um dos meus contos
(que eu nunca submeti a ele)
e disse, "este é
um grande conto".
eu disse, "o.k."
e ele me alcançou
e eu li.
era uma história sobre
um homem rico
que teve uma briga com
sua esposa e se
foi pela noite
atrás de uma xícara de café
e ficou observando
a garçonete e as colheres
e garfos e o
sal e o pimenteiro
e o letreiro de néon
na janela
foi então que voltou
para seu estábulo
para ver e tocar seu
cavalo favorito
que
deu-lhe um coice na cabeça
e o matou.
de alguma maneira
a história em suas mãos
tinha um significado para ele
apesar
de que quando a escrevi
não tinha nenhuma idéia
a respeito do que
tratava.
então eu lhe disse,
"o.k., velho, você pode
ficar com ela".
e ele a pegou
e caiu fora
e fechou a porta.
acho que foi
o mais próximo
que jamais estivemos.
(Charles Bukowski)
sábado, 1 de dezembro de 2012
O espaço do tempo
Estão lá;
as crises enfileiradas
na prateleira
em ordem
de mortalidade
aguardando
o descuido
matinal
de
insanidade.
O espaço
entre
o tempo;
O momento
objetante
do instante.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Trecho Dom Quixote
Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca.
(Miguel de Cervantes)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
O Canto das Estrelas
Tão belas, tão belas...
me sinto no universo
e não nesse reverso
a terra;
me sinto lá com elas
tão belas, tão belas.
O infinito pariu
cada uma de vós
do ventre dos sonhadores
em busca de amores
e da amada, distante
que já partiu.
Na prosa, me despindo
devorando meia taça de vinho;
estrelas me diziam:
"Amar, em primeira e última instância,
é a única salvação do indivíduo
endividado com o destino".
Que provocação a se fazer por elas;
tão belas.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Meu Guarda-Chuva
O céu já dizia
que por mais
tardio
que fosse
à todos
molharia;
acontece
que não
demorou,
as primeiras
gotas
de manhã
já molhou
e apenas
um
guarda-chuva
no meio
de dois
ficou.
em meio
ao vai e vém
do pobre
objeto,
os dois
sentaram
e prosearam;
o clarão
dos relâmpagos
assustava,
a hora
passava
e o ônibus
nem esperava,
por mais tempo
ele ali
ficava; (sem se importar)
mas a hora,
como tudo
na vida,
chegou
e então
caminharam
lado a lado
até
a despedida;
ela
virou-se
e
ao
partir,
o vento
fez-se
rir
destruindo
o guarda-chuva;
naquela tarde
um lindo
crepúsculo
sorriu
do outro lado
do mundo.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Aurora de Primavera
Deitar-te
sobre um verde
sereno
para
abraçar-te
em meus braços
morenos.
Afagar-te
os cabelos
ao vento
para
felizar-te
apenas
um momento.
Olhar-te
com suspiros
plenos
para
contentar-te
em sentimentos
amenos.
Amar-te
sem mais
medos
para
descobrir-te
todos
segredos.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Banal
Tenho medo
de querer
algo que
não se deve
querer;
pois quando
eu quero
até
o padre
curva
a chuva
para
o sol
se esconde
a lua
clara;
a vida acha uma graça,
mas logo passa...
depois
fico
meio
assim,
sem saber
de nada,
pensando
sentado
na
privada.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Esqueleto do Amor
Sonhei
e lá de cima
do infinito
ouviu;
despencou
da montanha
do universo
e caiu;
um anjo
sem asas
na esquina
surgiu;
uma flexa
no meu
coração
feriu;
devolvi
retruquei
lancei
sorriu.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Caveira na Estante
Sete mil vítimas
das sete mil
doses
de
pôr do sol
primaveril
que ostentaram
algo mais
que o sonho
indiferente
no gole de chá
de camomila
às sete da manhã
de um domingo
doloroso
que dizia
ao vento:
"as faces
do destino
são distintas,
parecem
interessantes
e o são,
mas são antes,
ilusão".
a caveira na estante
observara
sem
dizer
absolutamente
nada;
parecia-me
a morte
suplicando
ao divino
por apenas
uma dose
daquelas
sete mil vitimas
vitimadas
pelo
pôr do sol
primaveril
que ostentava(...)
ilusão".
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Porcos de Guerra
Generais reunidos em suas massas
Como bruxas numa massa negra
Mentes diabólicas que tramam destruição
Feiticeiros de criação de morte
Nos campos os corpos queimando
Enquanto a máquina de guerra continua agindo
Morte e ódio à humanidade
Envenenando suas mentes com lavagem cerebral
Oh, Senhor yeah!
Políticos se escondem
Eles apenas iniciaram a guerra
Por que eles deveriam sair para lutar?
Eles deixam isso para pobres, yeah!
O tempo vai mostrar a força nas suas mentes
Fazendo guerra só por diversão
Tratando as pessoas como peões de xadrez
Espere até que dia do julgamento deles chegue, yeah!
Agora na escuridão, o mundo para de girar
Cinzas onde os corpos deles queimavam
Sem mais porcos de guerra no poder
A mão de Deus marcou a hora
Dia do Julgamento, Deus está chamando
Ajoelhados, os porcos de guerra estão rastejando
Implorando perdão por seus pecados
Satã, gargalhando, expande suas asas
Oh, Senhor yeah!
(Butler/ Iommi/ Ward/ Osbourne)
domingo, 7 de outubro de 2012
Ponte
Vê se me tira!
Vê se me tira daqui! Vê, vê se me atira!
Vê se me atira
aqui.
Vê se me sente!
Vê se me sente assim!
Sente assim? Vê?
Vê se sente, me atira e tira daqui!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A Lista
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?
(Oswaldo Montenegro)
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Diz amor
Pra que irei
me perder
agora
se já
lá fora
você não
está?
Pra que vou
me jogar
no vento
se já
você
não sabe
soprar?
Pra que deter
o tempo
se já
relento
você
parece
ser?
Pra que ficar
feliz
na véspera
se já
adianta
a vida
você
pra mim?
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Entre Versos
No fundo
me olhando-
ou profundo
-eu vago
pelo seu pescoço
padecendo tentação.
em meio à confusão
folhas verdes
gotejantes
e dos telhados
molhados
malhados,
estou preso.
São apenas
quatro paredes
em milhões
de
quatro paredes.
Viva a liberdade.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Romance
você faísca
eu explosão
aquele dia
na beira mar
beirei seus lábios
e em mel
lambuzei,
beirei seu corpo
no mar
deixei.
você faísca
eu incêndio
outro dia
na beira rio
riu de mim
da minha palavra
e de triste
chorei,
beirei abismo
seu corpo
silente
matei.
domingo, 23 de setembro de 2012
Verdade de Pedra
Afinal,
é o que nos resta,
achar e achar
sem sobra de certeza
nenhuma.
Afinal,
passamos a vida toda
à procura do que procurar
e seria tão,
mas tão injusto
procurar
e passar
envelhecendo,
passar
remetendo
passado
e não
colher
um simples
achado.
sábado, 22 de setembro de 2012
Pernas
vontade de cruzar
com suas pernas de novo...
e de novo.
mas nunca mais,
ou talvez, até mais
quem sabe ali
onde vejo meu rosto
junto ao de outra
ali mesmo
onde beijo com gosto
as pernas de outra;
sempre será assim.
linda,
assim te chamava
assim chamei outras
e chamo ela agora,
mas sempre será assim;
contente com isso
amarei todas
morenas, loiras, francesas
e cruzarei com as pernas
delas
novamente.
sempre será assim.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Foi só há pouco tempo atrás
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Todo Amor é Igual
Acordo de manhã
serenata ao pé do ouvido,
esquentar o café,
seu corpo atrevido...
seus olhos, distantes
seus olhos, instantes
seus olhos.
Paro, só paro
vejo tudo
que você me tem,
aqueles recados
de madrugada,
o nome das minhas
ex-namoradas,
amargas.
Alta, se aproxima
de mim
magra, se cobre
de mim
deita em mim,
relaxa em mim,
veja em mim
amar de mais assim.
E todo amor é igual,
um poema não é
mais que um dilema,
assim como o norte
do meu coração
me leva, sempre,
em uma irônica
direção.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Pela Luz dos Olhos Teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar.
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar.
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais larirurá.
Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar...
(Vinícius de Moraes e Toquinho)
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Sexo
Aqui estou
consumindo a saudade
até o último soneto.
Pernas, cabelos e olhos...
é sempre o que me encanta,
se não tiver metade disso
nem tente achar
amor em mim, saudade.
Beijos, beijos profundos
beijos que tocam a alma
beijos que deixam nu
beijos que carecem,
carecem muito amor.
Vinho derramado
na cama de outrora
no passado de outrora
na verdade de outrora
...todavia, outrora
era sexo.
E falando em saudade,
que vai e vem
num ciclo finito
até despertar
vaidade,
pensei em você.
Eu tenho até
aguentado
insolente e mórbido
cosumido e vendido,
mas tenho...
e como dizia o Velho Bukowski:
"espero que a morte reserve
menos do que isto."
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Domingo
Passos lentos, desanimados, mendigos...é domingo, que alegria! Escorrego e...ahhh, cabeça no meio-fio, desmaio ao som dos sinos da igreja.
Visão turva, tontura, o que acontece? Aos poucos me lembro e me enfureço de raiva, ódio! Como pode? Como pode ser tão desgraçada a vida? Quantos domingos são necessários para pagar todos pecados?
Agora os carros passam, as famílias passam com suas crianças insuportáveis, todas tão alegremente felizes, ai como é bom domingo...vamos à igreja agradecer pelas nossas vidas medíocres, nossos trabalhos escravos, e seus amores, seus amores ridículos!
É domingo crianças, hora de passear sem vontade com seus pais...
Ainda agonizo no chão, meio tonto, jorrando sangue e vendo os carros passar...Deus, porque parou e descansou?
Poema do Livro "Pensamento do Chão"
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos
na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando
exercendo instantes
acho
que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse:
tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando.
(Viviane Mosé)
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